Memória

    Esquecimento é normal? Como saber quando o esquecimento merece atenção

    Mulher de cerca de 60 anos em casa, olhando o celular com calma ao lado de uma tigela com chaves e óculos

    Se você anda tendo mais esquecimentos, ou notou isso no seu pai ou na sua mãe, é natural se preocupar. Muitas vezes, o esquecimento faz parte da vida e tem explicações simples. Neste texto, você vai entender o que é comum, o que merece atenção e o que fazer em cada caso.

    Por que a gente esquece

    Esquecer faz parte de como a memória funciona. O cérebro não guarda tudo o que vemos e ouvimos ao longo do dia. Ele seleciona o que parece importante e deixa o resto passar.

    Muitos esquecimentos são, na verdade, falhas de atenção na hora de registrar a informação. Pense na chave que você guarda enquanto fala ao telefone. A cabeça estava na conversa, então o lugar da chave nem chegou a ser gravado. Esse foco faz parte das funções executivas, como atenção e planejamento, que ajudam a organizar o que fazemos.

    Outros fatores também pesam na memória, em qualquer idade:

    • cansaço;
    • noites mal dormidas;
    • estresse e preocupações;
    • excesso de tarefas ao mesmo tempo.

    Quando esses fatores se somam, fica mais fácil esquecer as coisas do dia a dia. Pode ser o nome do vizinho ou o que você foi buscar na cozinha. Isso, sozinho, não quer dizer que exista um problema de memória.

    O que muda na memória com a idade

    Com os anos, o cérebro também muda, como o resto do corpo. Uma revisão científica sobre o envelhecimento cognitivo normal descreve que algumas capacidades ficam mais lentas. É o caso da velocidade para processar informações e da facilidade de lembrar algo novo sem uma pista.

    Outras capacidades se mantêm e podem até melhorar, como o vocabulário e o conhecimento acumulado ao longo da vida. Por isso, você pode continuar craque nas palavras cruzadas e, ao mesmo tempo, demorar mais para gravar um número de telefone novo.

    A mesma revisão lembra que há muita diferença entre uma pessoa e outra. Duas pessoas da mesma idade podem ter memórias bem diferentes. Por isso, comparar-se com o vizinho ou com o irmão diz pouco. O que mais importa é perceber se houve mudança em relação a como você era.

    Esquecimentos comuns da idade

    A Alzheimer's Association, entidade americana dedicada ao tema, lista algumas mudanças típicas do envelhecimento. Entre elas:

    • esquecer um nome ou um compromisso e lembrar depois;
    • às vezes, não achar a palavra certa;
    • perder objetos de vez em quando e refazer o caminho para encontrá-los;
    • confundir o dia da semana e perceber depois;
    • errar uma conta de vez em quando.

    Se o que você vive se parece com essa lista, esses esquecimentos costumam fazer parte da idade. Ainda assim, vale comentar o assunto na próxima consulta de rotina.

    Quando o esquecimento é preocupante?

    O esquecimento passa a ser preocupante quando aparece com frequência, vai piorando e começa a pesar nas tarefas do dia a dia. A tabela abaixo ajuda a comparar. Ela se baseia na lista da Alzheimer's Association e nos sintomas descritos pelo Ministério da Saúde.

    Costuma ser da idade Merece avaliação médica
    Esquecer um nome ou compromisso e lembrar depois Esquecer fatos recentes com frequência e repetir a mesma pergunta várias vezes
    Às vezes não achar a palavra certa Ter dificuldade frequente para encontrar palavras ou acompanhar uma conversa
    Perder a chave e refazer o caminho até achá-la Guardar objetos em lugares estranhos e não conseguir refazer o caminho
    Confundir o dia da semana e perceber depois Se perder em caminhos conhecidos ou ficar confuso sobre onde está
    Errar uma conta de vez em quando Ter dificuldade nova com contas, remédios ou tarefas que antes fazia bem
    Às vezes ficar sem vontade de compromissos sociais Se afastar das pessoas, ficar desconfiado ou mudar de comportamento

    Na prática, quatro pontos pesam mais na hora de avaliar um esquecimento frequente:

    • mudança: a pessoa está diferente de como era;
    • frequência: os esquecimentos se repetem muito, e não só de vez em quando;
    • piora: eles aumentam ao longo de semanas ou meses;
    • impacto: atrapalham tarefas, compromissos, dinheiro ou segurança.

    Um esquecimento isolado diz pouco. O que chama atenção é o conjunto, e como ele muda com o tempo.

    O esquecimento é um sinal de Alzheimer?

    Nem sempre. Segundo o Ministério da Saúde, a perda de memória recente é o primeiro sintoma do Alzheimer e o mais característico. Mas o esquecimento de coisas recentes também pode ter muitas outras causas, e várias delas têm tratamento.

    Por isso, não dá para saber a causa só pelos sintomas. Só uma avaliação médica consegue diferenciar o esquecimento comum de uma causa tratável ou de uma demência. Demência é a perda das capacidades mentais a ponto de atrapalhar a vida diária.

    Qual doença deixa a pessoa esquecida? Causas que podem ser tratadas

    Quem pesquisa "esquecimento: o que pode ser" logo descobre que a lista de causas é longa. O National Institute on Aging é um instituto de saúde do governo dos Estados Unidos. Ele cita fatores que podem causar problemas de esquecimento e que muitas vezes têm tratamento:

    • depressão e ansiedade;
    • problemas de sono;
    • efeitos colaterais de remédios;
    • problemas de tireoide, rins ou fígado;
    • consumo excessivo de álcool;
    • falta de nutrientes, como a vitamina B12;
    • luto e acontecimentos estressantes;
    • pancada na cabeça.

    A mensagem principal é animadora: muitas dessas causas têm tratamento. Por isso, vale investigar cedo, sem esperar o problema crescer.

    Qual a falta de vitamina que causa esquecimento?

    A falta de vitamina B12 é uma das causas possíveis de problemas de memória. O Ministério da Saúde inclui a dosagem de B12 e a avaliação da tireoide na investigação inicial, ao lado da avaliação de depressão.

    Quem pede e interpreta esses exames é o médico. Tomar vitamina por conta própria pode atrasar o diagnóstico da causa real do esquecimento.

    Esquecimento repentino: quando é urgência

    O esquecimento repentino é diferente. Perda de memória ou confusão que começam de repente pedem atendimento imediato. Isso vale ainda mais quando vêm com sinais de alerta de AVC (acidente vascular cerebral, o derrame), listados pelo Ministério da Saúde:

    • alteração da fala ou da compreensão;
    • alteração da visão;
    • fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
    • dor de cabeça súbita e intensa;
    • perda de equilíbrio.

    Nesses casos, não espere passar. Ligue 192 (SAMU) ou leve a pessoa a um hospital na hora.

    Para os filhos: notou esquecimentos no seu pai ou na sua mãe?

    Às vezes, quem percebe primeiro os esquecimentos é a família. Isso pode acontecer em visitas mais longas, como nas festas de fim de ano. Se for o seu caso, algumas atitudes ajudam.

    Observe sem vigiar. Anote exemplos concretos, com a data e a situação. Por exemplo: "no domingo, perguntou três vezes a que horas era o almoço". Repare, principalmente, se há mudança em relação a como seu pai ou sua mãe eram antes.

    Converse sem brigar. Fale de cuidado, e não de falha. Em vez de "você está esquecendo tudo", tente algo como "andei pensando na sua saúde, que tal uma consulta de rotina?". Ofereça companhia para ir junto.

    Leve as anotações à consulta. Elas ajudam o médico a entender o que mudou e desde quando. Vale levar também a lista dos remédios em uso.

    Não faça diagnóstico. Frases como "ele está com Alzheimer" assustam e podem estar erradas. Só o médico pode dizer o que está acontecendo.

    O que você pode fazer no dia a dia

    Algumas estratégias simples ajudam a organizar a rotina e deixam o dia mais leve:

    • tenha um lugar fixo para a chave, os óculos e os remédios;
    • use agenda ou lembretes no celular;
    • faça uma coisa de cada vez;
    • repita em voz alta o que precisa lembrar, como "tomei o remédio da manhã";
    • procure dormir bem.

    Essas estratégias não substituem a avaliação médica quando há sinais de alerta. Elas apenas facilitam a rotina.

    Cuidar da saúde do cérebro ao longo da vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021. A demência também é uma das principais causas de incapacidade e dependência entre pessoas idosas.

    Parte desse risco está ligada a fatores que podem ser mudados. O relatório de 2024 da Comissão Lancet sobre demência lista 14 fatores de risco modificáveis. Segundo a estimativa populacional da Comissão, cerca de 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados, em teoria, se esses fatores fossem eliminados.

    Atenção: esse número é uma estimativa para a população como um todo. Ele não é uma promessa para cada pessoa. Ainda assim, vários desses fatores podem ser levados à sua próxima consulta:

    • perda auditiva (o médico pode avaliar o uso de aparelho auditivo);
    • pressão alta;
    • colesterol LDL alto, o chamado colesterol ruim;
    • diabetes;
    • depressão;
    • sedentarismo, ou seja, pouca atividade física;
    • isolamento social;
    • visão sem correção, como precisar de óculos e não usar;
    • fumo;
    • consumo excessivo de álcool.

    Manter a mente ativa e o convívio. Os autores da Comissão Lancet também reforçam o valor de se manter ativo na meia-idade e depois dela: com a mente, com o corpo e com as pessoas. Ler, aprender algo novo, caminhar e encontrar os amigos são formas simples de fazer isso no dia a dia.

    Esquecimento tem cura?

    A resposta depende do que está por trás dele. Algumas causas têm tratamento, como falta de vitamina B12, problema de tireoide, efeito de remédio ou depressão. Nesses casos, o esquecimento pode melhorar quando a causa é cuidada pelo médico. Por isso, o primeiro passo é sempre descobrir a causa com um profissional de saúde.

    Procure um médico se...

    Use esta lista como um guia rápido, para você ou para alguém da família:

    • o esquecimento está mais frequente ou piorando ao longo de semanas ou meses;
    • a pessoa repete as mesmas perguntas ou histórias na mesma conversa;
    • ela se perde em caminhos conhecidos;
    • surgiu dificuldade nova com dinheiro, contas, remédios ou tarefas que fazia bem;
    • outras pessoas próximas notaram a mudança;
    • há mudança de humor, de comportamento ou isolamento;
    • o esquecimento veio junto com tristeza persistente, ansiedade ou problemas de sono;
    • urgência: a confusão ou a perda de memória começou de repente, ou veio com alteração da fala, fraqueza em um lado do corpo ou dor de cabeça forte. Ligue 192.

    Se a dúvida é qual médico procurar para o esquecimento, um clínico geral pode começar a avaliação. Se necessário, ele encaminha para um neurologista, um geriatra ou um psiquiatra, como indicam as recomendações da Academia Brasileira de Neurologia.

    Onde a Métis entra

    A Métis oferece treino cognitivo nas Graças, em Recife: é um espaço de estímulo cognitivo para adultos, criado por neurologistas. Uma vez por semana, grupos de até seis pessoas passam 2h30 em um circuito por quatro salas: Linguagem, Memória, Funções Executivas e Contemplação. A proposta é manter a mente ativa e em convívio. A Métis não é tratamento e não substitui a avaliação médica; para quem já tem acompanhamento, ela é complementar. Para saber mais, veja como funciona o circuito e a Sala da Memória. Se quiser conhecer de perto, você pode agendar uma aula experimental gratuita.

    Perguntas frequentes

    É normal ter esquecimento depois dos 50?

    Alguns esquecimentos são comuns com a idade, como demorar a lembrar um nome ou perder a chave de vez em quando. Merece avaliação quando é frequente, piora com o tempo ou atrapalha a rotina.

    Esquecimento é sinal de Alzheimer?

    Nem sempre. Esquecimento pode vir de cansaço, estresse, sono ruim, depressão, efeito de remédio, falta de vitamina B12 ou problema de tireoide, entre outras causas. Só a avaliação médica diferencia essas situações de uma demência.

    Qual médico procurar para esquecimento?

    Você pode começar com um clínico geral, que avalia a saúde como um todo e, se preciso, encaminha a um especialista, como neurologista, geriatra ou psiquiatra. O neurologista é o especialista em doenças do cérebro. Leve exemplos concretos dos esquecimentos e a lista de remédios em uso.

    Falta de vitamina causa esquecimento?

    A falta de vitamina B12 é uma das causas possíveis de problemas de memória. O nível de B12 é medido em exame de sangue, que o médico pode pedir na investigação. Não tome suplemento por conta própria: o médico avalia a causa e indica o que fazer.

    Esquecimento tem cura?

    Depende da causa. Quando o esquecimento vem de algo tratável, como falta de B12, problema de tireoide, efeito de remédio ou depressão, ele pode melhorar com o tratamento. Por isso, descobrir a causa com um médico é o primeiro passo.

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